Resultado Mensal (Junho/20): Versa +19,8%; Fit +11,8%; Charger +12,2%; Tracker +4,3%

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Junho foi o mês de oscilar entre (1) otimismo com os estímulos monetários e fiscais junto a uma potencial retomada das principais economias do mundo; e (2) a incerteza ligada à re-aceleração dos casos de Covid-19 nos EUA. No início do mês o S&P 500 (principal índice de ações dos EUA) chegou a subir +6,2% para negociar a 4.8% das máximas vistas antes da crise do coronavírus, mas cedeu -4,1% para fechar o mês com alta de +1,8%. O Ibovespa subiu +8,8% no mês, recuperando em parte as perdas acumuladas em relação ao S&P 500 desde fevereiro. Os fundos da casa tiveram bom desempenho, com altas de +19,8%, +11,8%, +4,3% e +12,2% para o Versa, Fit, Tracker e Charger, respectivamente. Fechamos o primeiro semestre de 2020 (um longo semestre!) com rentabilidade positiva em todos os fundos exceto o Charger, nosso único fundo que não pode operar vendido (apostando na queda) em bolsa. Nosso fundo flagship Versa acumulou alta de +41,2% no primeiro semestre, período em que o Ibovespa caíu -17,8% e o CDI rendeu 2,4%. Fit e Tracker seguiram, com altas de +25,9% e +12,5% no semestre, respectivamente. O Charger sofreu menos que o Ibovespa, com queda de -15,7%.

Olhando para frente, seguimos otimistas com a perspectiva de uma solução médica que nos permita “fechar a pagina” do coronavírus. Ainda não está claro qual será a solução e quando ela chegará, mas há motivos para esperança. Primeiro, porque as notícias relacionadas ao desenvolvimento de vacinas só melhoram. O Dr. Anthony Fauci, diretor da National Institute of Allergy and Infectious Diseases nos EUA, disse recentemente que uma boa vacina é questão de tempo (“a matter of when, not if”). Segundo, e conforme relatado por nosso economista chefe Tarik nas últimas cartas semanais (aqui e aqui), a piora recente nos dados de infecção de coronavírus nos EUA é um pouco enganosa, dado que o aumento de casos concentra-se em lugares que até então não tinham sido atingidos, e que as primeiras regiões com surtos do vírus seguiram padrão parecido de aceleração, pico e redução de casos. Esse padrão foi identificado em outros países ainda no mês de maio pela Dr. Sunetra Gupta. É um padrão que trás alguma esperança de que lugares como Texas e Florida, no meio do furacão hoje, em algum momento estarão tão bem quanto já estão Nova York, Itália, França, Suécia e Espanha. Nesses lugares, o vírus está “calmo” apesar de muitos já terem algum grau de reabertura há um mês.

Ainda, acreditamos que o conjunto de medidas de combate ao impacto econômico causado pelo distanciamento social aumenta consideravelmente as chances de uma recuperação da economia mundial quando atingirmos um nível de imunidade (seja ela por vacina, ou pelo aparente ciclo natural de imunização dos surtos, ou por ambos) que permite a reabertura do comércio e traga de volta a confiança dos agentes econômicos em consumirem e investirem como antes.

É certo que a maioria dos países terão de lidar com “a conta” que ficará devido aos gastos diretos dos governos em combate à pandemia. Há debates importantes também sobre como será a retirada dos estímulos monetários dados pelos principais bancos centrais do mundo, se e quando esse momento chegar. Dos dois desafios, o fiscal, que depende de um congresso comprometido com contas sustentáveis, nos parece ser o mais difícil. Um aperto monetário é mais viável. Lembramos que até a chegada do coronavírus esse mesmo FED (banco central americano) já havia feito uma redução de balanço (uma medida do total de ativos do banco central americano) dos US$4,5 trilhões de 2017 para US$3,8 trilhões em Ago/2019. Vale dizer que o “pico” do tamanho do balanço do FED nessa pandemia, assim como o pico de vários surtos do próprio vírus, já se foi. Do dia 10 de junho para cá, sua curva estabilizou, o que faz sentido dado: (1) os sinais de reabertura nas regiões onde o pior do coronavírus parece ter passado; e (2) a rápida recuperação das condições financeiras e dos ativos de risco em geral. Acreditamos que em alguns anos, quando tudo isso passar, vamos olhar para trás e dizer que a atuação dos bancos centrais foi crisis management by the book: uma dose forte de remédio contra a pressão deflacionária trazida pelo distanciamento social, seguido pela redução da dose gradualmente depois.

Com isso, seguimos otimistas com ativos de risco no geral, e mantemos os fundos posicionados para surfarem uma continuação da recuperação atual.

Fonte: St. Louis Federal Reserve

Resultado Fundos

Estratégias do Versa LB FIM e Fit LB FIM

Estratégia do Versa Charger FIA

Estratégia do Versa Tracker FIM

Destaques Positivos

Os cinco destaques positivos do mês foram ações de empresas ligadas ao consumo e à atividade doméstica. Foram levadas pelo otimismo com uma reabertura econômica diante de condições financeiras estimulativas, com juros históricamente baixos e um sistema bancário saudável mesmo diante da profunda recessão (o contrário da crise de 2008). Vale dizer que as ações da Via-Varejo, maior ganho mensal pelo terceiro mês consecutivo, acumula uma recuperação importante com o pano de fundo descrito acima, além do seu bom aproveitamento do canal online para continuar atendendo o cliente. As ações sobem +290% desde 3 de abril.

Maiores ganhos de junho

Destaques Negativos

Mais uma vez a exposição líquida vendida em índice bovespa (via o ETF BOVA11), usada para financiar uma maior exposição comprada em nossas ações preferidas, entrou nos destaques negativos. Em seguida vem a categoria de empresas “boas e caras” (B3, Magazine Luiza, Weg), posições vendidas a descoberto e naturalmente levadas pelo mesmo otimismo que atingiu Via-Varejo, Even, Unidas, Trisul e Direcional (na carteira long). Por último temos as ações da SLC Agrícola, que deram uma realizada após um belíssimo desempenho no auge da pandemia (abril e maio).

Maiores perdas de junho

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