General Motors – Mais Um Passo Rumo ao “All-Electric Future”

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A General Motors é nosso único investimento fora do Brasil. Quando apresentamos a tese de investimentos em Maio deste ano, ressaltamos dois pontos principais: (1) a farta geração de caixa vinda do negócio incumbente de montagem e comercialização de veículos; e (2) as frentes de inovação que colocam a empresa em boa posição para surfar as mudanças que impactam a mobilidade e o setor automotivo no geral (direção autônoma, eletrificação). Acreditamos na campanha dupla que a GM está perseguindo nessa corrida, incluindo tanto o lançamento de novos modelos de carro elétrico para uso individual quanto o desenvolvimento de um serviço de carona 100% elétrico e autônomo (Cruise Origin).

Na última semana, vimos duas notícias que corroboram com a visão promissora para com as iniciativas disruptivas da GM. A primeira foi o lançamento do primeiro modelo de carro elétrico no segmento de luxo da GM: o Cadillac LYRIQ. Até então, o único veículo elétrico oferecido pela GM era o Chevrolet Bolt EV, modelo de pouco sucesso frente aos pares mais avançados em carros elétricos (ie: Tesla). Com o LYRIQ, a GM trás um novo sistema de bateria que promete autonomia de até 480km e opções de recarga rápida. Além disso, o LYRIQ está em uma categoria mais aderente ao perfil atual de quem compra carro elétrico: os carros de luxo. A produção do LYRIQ iniciará somente em 2022, mas já gostamos da iniciativa como sinal de que a GM está de fato se direcionando para um “all electric future”.

A segunda notícia importante para o futuro da GM nas mudanças de mobilidade é sobre o modelo de cobrança pelo uso do sistema de direção autônoma que a GM já disponibiliza no Cadillac CT6: o sistema Super Cruise. O Super Cruise permite ao motorista tirar as mãos do volante em rodovias compatíveis. Com o sistema ativado, o carro assume a direção com a capacidade inclusive de trocar de faixa na estrada sem intervenção do motorista. O sistema estará disponível no novo modelo (2021) do Cadillac Escalade e também no LYRIQ.

Até então, o modelo de cobrança pelo uso do sistema envolvia custos de instalação no momento da compra do veículo, seguido por um “trial” de uso grátis de três anos. Em 2021, vencerá esse período de carência para os primeiros modelos do Cadillac CT6 vendidos com o sistema (2018). A partir desse vencimento, o serviço terá um custo recorrente de uso (subscription). O valor ainda não foi revelado, mas o fato de já existir planos para implementação de um modelo de assinatura para o uso da função direção autônoma é bem vindo, pois mostra o compromisso que a GM tem com a monetização dos seus avanços tecnológicos. Admitimos que é um passo pequeno, dado que: (1) o produto ainda tem muito que avançar para se tornar uma solução completa de direção autônoma; e (2) ainda não se sabe o quão dispostos os consumidores estarão a pagar pelo serviço. Mas se antes a GM era uma empresa atrasada no quesito inovação, hoje está ficando mais claro seu protagonismo nas mudanças que a tecnologia trará ao setor automotivo. A ideia de um modelo de assinatura mostra que a GM pretende participar não só das mudanças de produto, mas também da forma como o cliente o consome. Vale dizer que por enquanto o sistema Super Cruise estará presente em poucos modelos, mas eventualmente poderia ser implementado em qualquer tipo de veículo vendido pela GM. Aqui o importante é lembrar que a GM é a maior montadora nos EUA, com ~3mn de veículos vendidos por ano atualmente. Hoje esses veículos geram receita somente na ocasião de compra. Com o Super Cruise, aumentam as chances da empresa gerar receita recorrente com a frota circulante de veículos GM no futuro.

Curiosamente, as ações da GM ainda negociam a preços normalmente condizentes com negócios sem esse potencial disruptivo. Nos preços atuais, após uma alta de +16% nas últimas semanas, as ações negociam a um múltiplo Preço/Lucro 2021 de 6,6x. Em comparação, as ações da Tesla negociam a um múltiplo P/L 2021 de 96,2x. Nas ações da Uber essa conta nem serve, pois a expectativa de mercado para o denominador (lucro) está em território negativo (prejuízo) até 2022. A discrepância de valor torna a GM um investimento mais atraente em nossa visão, justificando a posição que temos na Cia.

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