Comitê Semanal (09/12) – Recuperação ganhando força e inflação sob controle

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A semana foi positiva, sinalizando recuperação mais forte na atividade doméstica e, ao mesmo tempo, redução dos riscos de desaceleração mundial, com destaque para os EUA. Por outro lado, a economia mais forte não tem pressionado a inflação, mantendo as portas abertas para cortes de juros. No Brasil, o destaque ficou com o PIB do 3º tri crescendo 0,6% contra o 2º tri, acima das expectativas (0,4%). Na inflação, o IPCA de novembro veio um pouco acima do esperado em 0,51%, porém fortemente influenciado por fatores atípicos. De fato, as medidas de núcleo de inflação continuaram em patamares baixos. Nos EUA, os fortes dados do mercado de trabalho, chamaram a atenção. Foram criadas 266 mil vagas de emprego em Novembro, bem acima dos 180 mil esperados pelo mercado.

Brasil

PIB

O PIB brasileiro do 3º trimestre avançou +0.6% contra o trimestre imediatamente anterior (QoQ) e +1.2% contra o mesmo tri do ano anterior (YoY). Esse crescimento surpreendeu o consenso dos analistas, que esperavam algo em torno de +0.4% QoQ.

Figura 1: Dados do PIB

Fonte: IBGE e Versa Asset

O consumo das famílias e os investimentos continuaram a liderar o crescimento. De fato, enquanto o consumo avançou +0.8% QoQ (vs. +0.2% no 2º tri), os investimentos saltaram +2.0%. Na direção oposta, os destaques negativos na conta do PIB ficaram com a redução de -0,4% no consumo do governo e com a queda de -2.8% das exportações, explicada em grande parte pela crise econômica na Argentina.

Pela ótica da oferta, melhora generalizada. De fato, todos os setores aceleraram no 3º tri: a indústria subiu +0.8% QoQ (de +0.7% no 2º tri), serviços cresceram +0.4% (de +0.2%) enquanto a agricultura saltou +2.1% (de +1.4%). Para o crescimento da indústria, vale destacar o papel relevante do setor extrativo (+12% QoQ) muito influenciado pelos fortes resultados na extração de petróleo e a gradativa normalização da mineração após a tragédia de Brumadinho. Ainda, o setor de construção civil continuou a mostrar sinais de recuperação, ao avançar pelo segundo trimestre consecutivo (+1.3%) após longo período de crise.

Revisões na série histórica foram (levemente) positivas. De fato, a revisão metodológica anual dos resultados sugeriram uma recuperação ligeiramente mais forte do que a figura anterior dos números mostrava. Por exemplo, o crescimento do PIB de 2018 foi revisado para +1.3% ante 1.1% na leitura anterior.

Figura 2: PIB antigo e revisado

Revisões para cima nas projeções de crescimento. Em vista dos números positivos do PIB, o consenso para 2019 e 2020 tende a ser revisado de acordo. Por ora, o relatório Focus dessa segunda-feira já apontou melhora para este ano (1.1% vs 0.99% na semana passada) e algum sinal tímido para 2020 (2.24% vs. 2.22%). A julgar pelas revisões de alguns bancos nos últimos dias é de se esperar que o consenso migre para algo próximo de 2.5% em breve.

Produção Industrial

A produção industrial de outubro avançou +0.8% no mês, terceiro mês consecutivo de crescimento, e praticamente em linha com o consenso. O destaque positivo ficou nos bens de consumo, crescendo +1.0% no mês. Por outro lado, faltou tração na indústria de bens de capital, contraindo pelo segundo mês consecutivo em -0.3% MoM (ante -0,4% em setembro).

Figura 3: Produção Industrial

Fonte: IBGE e Versa Asset

Contudo, um olhar mais granular apontou sinais mistos na recuperação. De fato, das 26 subindústrias acompanhadas pelo IBGE, apenas 14 mostraram algum crescimento no mês. Em que se pese o ruído nesses dados no curto prazo, os destaques positivos ficaram com a indústria de alimentos (+3.4% MoM) e farmacêutica (+11.2%). Na direção negativa, os destaques foram em combustíveis (-2.1%) e metalurgia (-3.2%).

Inflação

O IPCA de Novembro veio em 0.51% no mês, acima do consenso (0.47%) e do resultado de Outubro (0.10%). A alta na inflação foi puxada tanto pelo grupo de preços administrados (+0.97% ante -0.11% em out.) como nos preços livres (+0.36% ante +0.19%). No acumulado 12 meses, a inflação subiu para 3.3% ante 2.5% em outubro. Vale notar, no entanto, que a alta da inflação foi particularmente afetada por três itens não recorrentes. Em primeiro lugar, a inflação de alimentos sofreu com a alta de +8.1% em carnes. De fato, este item isolado contribui com 0.21 pontos percentuais na inflação cheia. Além disso, os reajustes nos preços da loteria e a bandeira vermelha na conta de luz somaram mais outros 0.20 p.p no número cheio do IPCA.

Figura 4: IPCA e principais grupos

Fonte: IBGE e Versa Asset

No entanto, a análise mais cuidadosa dos números ainda é benigna para a inflação. Por exemplo, a inflação de serviços (menos volátil) continuou a recuar, atingindo +0.16% MoM, que é o menor número da série histórica para um mês de Novembro. As medidas de núcleo, por sua vez, subiram levemente (+0.25% vs. +0.21% em out.) mas ainda assim abaixo da média histórica para o mês. Neste sentido, vale notar que as projeções de inflação do relatório Focus mais recente subiram apenas para 2019, refletindo tais pressões de curto prazo, enquanto o consenso para 2020 se mantém em 3.6% (valor abaixo da meta de 4.0%).

Figura 5: Inflação de Serviços

Fonte: IBGE e Versa Asset

EUA: Mercado de trabalho segue forte.

Foram gerados 266 mil empregos em novembro, número bastante acima do consenso de 180 mil vagas. Além do mais, os números de outubro e setembro também foram revisados para cima. Vale notar, no entanto, que parte da criação de novembro foi causada pelo fim da greve da General Motors, que acrescentou 41 mil vagas nas estatísticas. A taxa de desemprego, por sua vez, recuou para 3.5%, o valor mais baixo dos últimos 50 anos.

Figura 6: IPCA e principais grupos

Fonte: BLS e Versa Asset

Commodities

O índice CRB subiu na semana puxado pelo petróleo, que avançou 5.4% para 64.14 usd/bbl, recuperando-se do tombo no final da semana passada. Com a alta o Brent voltou a negociar acima da média do ano, de 62.41 usd/bbl. Na quinta-feira passada a OPEC e a Russia decidiram cortar 500 mil barris/dia adicionais de capacidade para sustentar o preço do petróleo. Dentre as agrícolas o açúcar continuou a recuperação das mínimas do ano, enquanto a soja reduziu as perdas do último mês. Por último as metálicas pouco se mexeram salvo o aço longo chinês que devolveu parte dos ganhos do último mês. O aço longo turco, por outro lado, manteve a trajetória de recuperação.

 

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